sábado, 9 de outubro de 2010

Hoje foi dia de shopping pra dona Sonia, então vai aí uma crônica sob medida...

Teste Vocacional

Se a minha mãe tivesse feito teste vocacional, não tinha erro. Daria guarda de trânsito “olha aquele ali na pista de ônibus, fechou o outro, não sabe dirigir...”, contadora de histórias “de primavera, quando as crianças tinham lá pros seus dez anos, chovia fininho...” ou guia turística. Outro dia, durante um passeio no shopping em um sábado chuvoso (programa de índio), tivemos certeza de que ela teria se saído bem na terceira opção. “À sua esquerda, Ecletic” – dizia – “vestidinhos, roupinhas pra bater, tem tudo aí. À direita, Dress To. Tudo muito curto, só pra adolescentes. Ao final do corredor você já pode avistar a Cantão. Ah, mas nos últimos anos mudou muito, hoje é visitado pela elite, tudo caro. Opa, logo ali, a Zara. Vamos entrar! Sapato? Tá precisando? Não? Então vai experimentar pra quê?” Falava das lojas como quem descreve a Lapa ou o Leblon, destacando suas principais atrações, público-alvo e poder aquisitivo. Mas você tem dois minutos pra ouvir, olhar e registrar as informações, exatamente como naqueles confortáveis ônibus turísticos, onde você está diante do paraíso e tudo que consegue fazer é encostar o nariz da janela e lamentar não poder desfrutar tudo aquilo. Tudo bem, sempre tem aquela sagrada meia horinha pra bater perna livremente, mas exatamente como quando se contrata o serviço de uma agência de viagem, quem define o lugar não é você - e ela definiu que seria a Zara. Mas não se trata de viagem perdida, temos que levar em conta o tal custo x benefício e aproveitar aqueles “extras” incluídos no pacote. Quando o roteiro é shopping e a guia é sua mãe, você sempre sai com uma sacolinha de presente. O meu foi um casaquinho, claro. No fim da viagem você tem a sensação de ter visto dezenas de lugares, mas conhecido cada um deles muito superficialmente. Hora de colocar em prática aquela tática espertinha e egoísta de atrasar a volta de todo mundo. Mas com ela não cola. “Vou indo pro carro esperar por vocês lá”. Assim, quem consegue? Vamos, Gabi!

Um comentário:

  1. Atrasar a volta de todos é muita sacanagem, mas vamos confessar que todo mundo já fez isso alguma vez na vida. Talentosa demais essa minha irmã! Estou adorando o blog. Se você divulgar o link, isso aqui vai bombar.

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